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O Brasil vive hoje um dilema anunciado há anos pelos profissionais da educação, e que compromete diretamente seu desenvolvimento: a falta de mão-de-obra qualificada. Quando analisamos a qualificação das pessoas com deficiências, o dilema aumenta ainda mais.
O mercado de trabalho possui diversas vagas abertas que não conseguem encontrar candidatos aptos para preenchê-las. No que se refere às vagas para as pessoas com deficiência, essas demanda é ainda mais expressiva.

Com a Lei 8.213/91 (conhecida como Lei de Cotas), as empresas com mais de 100 colaboradores disputam cada profissional com algum tipo de deficiência a ferro e fogo. O que vemos e ouvimos, como se fosse um discurso ensaiado, é a falta de qualificação destas pessoas que, para serem contratadas, encontram vagas flexibilizadas, tarefas simplistas e atividades operacionais de nível básico.
Isso é inclusão? Esta maneira de empregar oferece dignidade ou favorece o “armazenamento” de mão-de-obra “deficiente” ?!?
Frente a isso, as perguntas mais pertinentes são: por que isso acontece e o que podemos fazer para resolver o problema?
Há tempos a educação foi deixada à própria sorte e a formação de nossos jovens e adultos apresenta níveis baixíssimos nas avaliações. Para as pessoas com deficiência, esse problema aumenta muito, pois a exclusão frente aos processos educacionais convencionais somados a: falta de informação, políticas paternalistas e falta de acessibilidade arquitetônica, técnica e humana, criaram um cenário de atraso, reclusão e abandono.

Pensar em educação de qualidade é pensar um sistema que, por si só, é acessível para todos, oferece múltiplas ferramentas pedagógicas para formação humanista e cognitiva, e trabalha a diversidade de maneira natural e inclusiva desde a educação infantil - formando cidadãos observadores, críticos e comprometidos com a transformação da realidade.
Encontro em Paulo Freire (1983), fundamentação para este pensamento. Ele nos diz que só se pode conceber a pedagogia como: “ação que pode e deve ser muito mais que um processo de treinamento ou domesticação; um processo que nasce da observação e da reflexão e culmina na ação transformadora”. (p. 93).

Qualquer tipo de programa educacional, seja criado e aplicado por instituição de ensino, governo, empresa e ONGs, deve conter em cada linha, os pensamentos que Paulo Freire apresenta nessa citação.

Nossos educandos devem sair do ensino médio com, no mínimo, condições de: observar criticamente o mundo, julgá-lo com princípios de vida que tenha escolhido, e agir para transformá-lo em algo melhor.
Segundo nossa Constituição Federal de 1988, a educação é “direito de todos” (art.205), devendo ser o ensino, ministrado com respeito aos seguintes princípios, dentre outros: I) “igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola”, II) “liberdade de aprender” e “ensinar”, III) “pluralismo de idéias e concepções pedagógicas”, e IV) “garantia de padrão de qualidade” (art.206).
Mas não basta a Constituição Federal conter em suas linhas o que tanto queremos e defendemos. São necessários: decretos, ações populares, apoio das empresas e comprometimento da população para concretizar tais palavras.
Fazer com que as escolas sejam espaços que garantam esses direitos, e desenvolver pessoas para a autonomia e a cidadania, é um grande desafio que implica em métodos assertivos e técnicas capazes de acompanhar as mudanças globais. Para isso, fontes de informações confiáveis se tornaram fundamentais para a educação, e ensinar a aprender se tornou mais importante do que ensinar a repetir. Os protagonistas da educação, são os educadores que, para atingirem a excelência, precisam desenvolver habilidades múltiplas de comunicação e empatia, além de conhecimentos, habilidades e atitudes junto aos diversos perfis de educandos.
O MEC - Ministério da Educação e Cultura, coerente com o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), no qual os países signatários reconhecem que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, aponta: "tendo como horizonte o cenário ético dos Direitos Humanos, sinaliza a necessidade de se garantir o acesso à participação de todos, a todas as oportunidades, independentemente das peculiaridades de cada indivíduo e/ou grupo social" (MEC/SEESP, 2004, p. 8).
Cada instituição educacional deve se adaptar e capacitar seus educadores para um processo que, como o MEC apresenta: “Ofereça garantias de condições apropriadas de atendimento às peculiaridades individuais, de forma que todos possam usufruir as oportunidades existentes. Há que se enfatizar aqui, que o tratamento diferenciado não se refere à instituição de privilégios, e sim, a disponibilidade das condições exigidas, na garantia da igualdade” (MEC/SEESP, 2004, p. 9).
As experiências de sucesso que conhecemos sobre Educação Inclusiva, mostram que não existe mágica, mas dedicação, paciência, parcerias e muito aprendizado.
É responsabilidade de todos auxiliar o processo de adaptação, reestruturação e reinvenção das formas de ensinar e interagir. Vencer o preconceito e o comodismo interno é o primeiro passo para a transformação de nosso entorno.
Receber informações para familiarizarmos com o tema “deficiências” e interagir com pessoas com deficiências, têm se mostrado os melhores caminhos para a capacitação e produção de ótimos projetos educacionais.

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BIBLIOGRAFIA

- FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 13.ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra. (Coleção O Mundo, Hoje,v.21) 1983.
- MEC/SEESP, 2004 Disponível em:
http://nsae.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=797&Itemid=115

*Adriano Bandini é sócio-diretor da CAMPOS GESTÃO, é psicólogo com experiência clínica, escolar e organizacional, especializado em educação, gestão de pessoas, T&D e liderança. É professor de psicologia e atua a mais de 10 anos em escolas particulares e públicas desenvolvendo e aplicando projetos educacionais e projetos de inclusão. Recebeu vários prêmios do Instituto da Cidadania, Instituto Faça Parte e Escola Solidária (Rádio Bandeirantes e Itaú Cultural) por projetos de voluntariado juvenil e responsabilidade social.
E-mail: adriano@camposgestao.com.br


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