Tamanho da fonte: A- | A+
Artigos


Revista Reabilitação
10/12/2003
Roberto Rios fala sobre a dificuldade que
as pessoas com deficiência encontram para estacionar
o carro nas vagas reservadas

Hoje, praticamente todos os Hipermercados e Shopping Centers de São Paulo possuem em seus estacionamentos, vagas para portadores de deficiência. É certo que, boa parte, muito mal feitas, em lugares inadequados, com sinalização errada ou parcial e medidas fora de padrão.
O grande problema agora, não são mais as vagas, mas o tipo de uso que se faz delas, deixando evidente, que os usuários desses estacionamentos precisam de orientação ou até mesmo serem chamados pela atenção, porque alguns mostram claramente que não sabem, outros se fazem de bobos, fingem que não viram, não notaram e por aí vai; outros, são atrevidos e mal educados.
Os motoqueiros não acham: eles têm certeza de que, aquela área pintada com listras ao lado da vaga é para estacionar motos. E a "vaga de motos" está sempre cheia.
Alguns motoristas acham que é bem espaçoso duas vagas para pessoas com deficiência e estacionam três carros de uma vez. Eu vou contar alguns casos reais para mostrar o tamanho do problema:
1 - Encostei o carro na vaga, e resolvi aguardar minha esposa, que ia fazer uma compra rápida no mercado. Ao lado, um carro com o símbolo de PPDs (cadeirinha azul), e um senhor guardando alguns pacotes. Perguntei:
- Qual é sua deficiência amigo?
- Não, não sou deficiente, é minha filha.
- É difícil né? O senhor a leva em todos os lugares?
- Não, ela só fica em casa ou internada.
- Então o senhor não deveria usar esta vaga, pois ela serve às pessoas com deficiência, que vêm ao mercado.
- Se eu tenho uma filha deficiente eu tenho direito...
Muito bem, esperto...
2 - Estava eu parado em frente a um banco, quando ouvi um motoqueiro falar para o outro:
" O banco deveria aumentar este espaço. Cabe só duas motos". Eu interferi, e informei que aquele espaço não era destinado às motos, e sim, para que a porta do carro de uma pessoa que tenha deficiência pudesse ser totalmente aberta, e a sua cadeira ali enconstada. E o motoqueiro me respondeu: "Cê tá brincando ?!?"
3 - Fui fazer compras em um grande supermercado no bairro do Jaçanã (zona norte da capital paulista). Parei o carro em uma vaga para PPD sendo que, das seis existentes, quatro estavam ocupadas por carros sem o símbolo pregado no vidro.
Fiquei ali pensando que, há apenas duas semanas, eu tinha pedido ao gerente do mesmo supermercado para tomar uma providência, como contratando um segurança para orientar, pois é comum que todas as vagas estejam ocupadas por pessoas não deficientes. Mas ele não se incomodou. Neste instante, encostou um carro, na última vaga reservada, com um homem aparentando uns 35 anos e um garoto de mais ou menos 15 anos. Como um bom lutador da causa, perguntei, enquanto o garoto descia:
- O senhor é deficiente?
- Não, por quê?
- Esta vaga é para quem precisa.
- Eu quero que quem precisa vá se.....
- Mas amigo são pessoas com deficiências...
- Eu quero que os deficientes vão para.....
Aumentou o som do carro, levantou o vidro e fez alguns gestos tão bem educados quanto as duas respostas anteriores. Meia hora depois, o garoto voltou e entrou no carro, o homem cantou os pneus em ré, deu a volta, parou em frente ao meu carro, abriu o vidro e disparou:
" Você tem que ser aleijado mesmo!!!" - e depois de me mandar para vários lugares (nada interessantes) e chamar todas as mães que eu pudesse ter, saiu, cantando pneu novamente.
Depois deste episódio, costumo perguntar aos seguranças de estacionamentos, principalmente de Shopping Centers, por que eles não tomam providências? E eles me respondem que a direção não quer aborrecer os clientes, e eles até são repreendidos quando chamam a atenção deles por causa do uso indevido destas vagas.
Quer dizer então que só as pessoas com deficiência podem ficar aborrecidas?!? Entre um e outro, em vez de aborrecer eles, preferem a nós ? Isto é discriminação. Lembro que há muitos anos, colocava-se um aparelho que prendia o pneu do carro de quem desobedecesse as regras do estacionamento, e, para achar a chave do aparelho, de nome "jacaré", demorava-se pelo menos, umas 3 horas. E é por isso que eu digo: "Ah !!! Que saudade do jacaré!".
Mas os Shoppings podem fazer algo mais moderno, como inserir em todas as suas propagandas, dicas de bom relacionamento e inclusão. O que vocês acham ?!?

* Roberto Rios é paraplégico, jornalista , radialista e palestrante.

Voltar


© 2008 - camposgestao.com.br - Copacabana 385, conj. 111-A São Paulo - SP CEP: 02461-000 Tel / Fax: 11 2978-5340 - e-mail: faleconosco@camposgestao.com.br
CRP-J: 3538
Tecnologia:
GSArt Web Solutions